O viver é agora

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A sensação que dá é que estamos “inquietos”, quase sempre, dentro de um lugar desconhecido por nós, porém controlado por nós, estou me referindo à nossa Mente. Há um corre – corre mental desafiador nos dias de hoje. O corpo pode gozar de um aparente estado de relaxamento, o visual descontraído com ar de praticante de YOGA, o semblante com um sorriso amistoso e maxilar solto, MAS, a mente está correndo, constantemente, para canto nenhum e nem de ninguém, especificamente, suspeito que seja apenas de si mesma.

Ela não entra em acordo com o tempo, desentende-se com as tarefas diárias, “xinga” o excesso, exclama cansaço, “exige” o que não tem, desdenha o que é possível, entra em parafusos. O aparente controle de tudo evapora-se com o suor, Mas, se revitaliza com as “curtidas” nas redes sociais e com o número de seguidores no Instagram. No fim do dia, isso parece fazer sentido.

Parece que o hoje já é ontem, o presente virou uma estação desativada dentro do nosso dia –a – dia. Não estamos vivendo mais o agora! Ele está deixando de existir. Estamos a cada minuto planejando e vivendo a hora seguinte. O tempo virou inimigo e receituário das Valerianas e Fluoxetinas. Estamos “viciados” pelo que pode acontecer e não no que está acontecendo neste momento, nossos pensamentos estão, em sua maioria, no futuro, mas, por quê?

Porque estamos doentes de falta de amor próprio. Porque nos condicionamos colocar em mãos alheias o controle do nosso tempo e a confecção dos nossos pensamentos. Não estamos decidindo por nós, não estamos lutando pelo movimento do agora, não estamos conectados com a nossa essência.

Estamos sim, conectados, sempre, com a expectativa alheia. Estamos dando a ela muito poder sobre a nossa unidade.

Por isso, entendo o descompasso entre um adulto e uma criança. A criança está no presente, constantemente, e, nós, adultos, sempre querendo levá-la para a atividade seguinte. Não estamos conseguindo ser companhia para nossos filhos. Chega ser irritante aquela brincadeira que parece não acabar nunca! Ou até mesmo aquela conversa que vai e volta sobre as mesmas questões. Tudo está nos irritando! Isso sem falar na “lentidão” que as crianças levam para escovar dente, mudar de roupa, entrar no carro, pentear o cabelo. Lentidão? Eu disse isso? Tudo parece lentooo demais para a nossa mente ansiosa em digerir o próximo minuto.

Estamos adoecendo.

Temos nos sabotado durante semanas, meses, anos por uma falsa vaidade de que “controlamos” a nossa vida. Mente acelerada, essência pouco olhada. Controlar a nossa vida é se permitir viver dentro do que está acontecendo no minuto atual. Esse controle é assertivo, idôneo, os demais são condições em estado de fuga.

Vamos observar a criança; ela é divina porque está conectada com o seu interior sempre, constantemente. O movimento dela é para dentro e para fora, simultaneamente. Ela não sai do agora. Ela se alimenta das possibilidades do presente, do que está ao seu alcance. E com isso se preenche de fé em si mesma. O tempo é seu aliado e “servidor” da sua estreia diária.

Quando foi que começamos a perder isso dentro de nós?

Meu filho é especial!

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É muito comum cultivarmos e darmos plasticidade a esta frase: meu filho é muito especial! Seja dentro de um monólogo próprio, em redes sociais, na porta da escola, com amigos e familiares, ou até mesmo comprando remédios na farmácia.

Mas, tem alguma criança que não seja especial? Todos os querubins são preenchidos por uma natureza celestial aprimorada, com asas de anjo. Todos eles. São crianças com toda a originalidade da ingenuidade e pureza costurada dentro de si. Por isso, são capazes de arrancar sorrisos espontâneos, de curar enfermos, de encher de vida uma esquina escura, enfim, de fazer renascer o que anda sem entusiasmo.

Eles, em primeiro lugar, podem recriar um mundo novo, desfazer estilos de vidas rígidos, beliscar o preconceito, colocar a beleza no feio, dar de costas para o autoritarismo, incluir novas virtudes naquele que tem ao lado, dar cambalhotas para o azar, e hipnotizar o impossível. São, imensamente, especiais.

Então, se o “especial” nasceu dentro de todas nós, o que estamos querendo dizer além disso?

Creio que a necessidade de querer colocarmos o filho no pódio do “incomparável” é também se convencer de que tudo vale a pena já que trouxemos ao mundo alguém que tem mais “luz” que os demais.

Quem nunca?

– passei a noite inteira acordada com o coração pulsando do lado de fora – filha doente – e entre uma febre e outra a filha diz: mamãe, eu te amo – Meu Deus, que filha especial tenho!

Sem dúvida, minha filha é muito fofa, amorosa, agradecida. Porém, aquele especial da frase, inconscientemente, pode ter sido por ela “ter me enxergado” em meio a tanto sofrimento. Me senti reconhecida, devolveu-me afeto, devolveu-me gratidão e amor. Olha que privilégio!

Este sentimento que o filho nos devolve é inteiramente especial! É imensamente especial ser amado por alguém. É imensamente especial ser “incluído” por alguém. É imensamente especial se sentir importante para alguém. É imensamente especial ser necessário para alguém. E os filhos nos dão tudo isso em doses gratuitas de amor genuíno.

Eles têm a capacidade de nos devolver o amor próprio, de fazer com que o “especial” que existe dentro de nós seja resgatado, se faça vivo, legítimo em nossas vidas.

Atrás de um filho especial deve existir uma Mãe tão especial quanto! Será que é isso que estamos buscando repetir, constantemente, para nós mesmas?

Sou a Mãe do “Dia das Mães”?

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Todo este alvoroço em torno do tão referendado “Dia das Mães” me causa grande desconforto apesar deu ser MÃE.  É um Ser tão idealizado que não consigo encaixar minha Mãe, nem eu mesma, nele. O Ser Mãe dialoga com o imaginário coletivo, mas não com a realidade da vivencia. O significado simplesmente caiu entre nós, elaborou-se e ganhou um padrão de comportamento a ser seguido, comparado e cobrado. Assim, a mãe que merece respeito é aquela que move céus e terras por um filho, é aquela que doa a própria vida por um filho, é aquela que está sempre por perto, é aquela que dá uma alimentação saudável, que zela pela leitura ao invés da televisão, que conta histórias todas as noites e que da conta de tudo em sua volta…

Será, Mães? Algumas dirão que Sim mas, infinitas outras, dirão que NÃO. Para muitas o conceito de mãe não passa por ai.

Por que tanta expectativa se constrói ao redor de um Ser Humano de carne e osso? Ele ainda não sublimou… Está bem enraizado entre nós através de suas vísceras. Mas a borbulha da promessa só cresce em torno deste Ser que se torna Mãe. Aloou, esta mulher vai AINDA aprender a ser Mãe já que começou a vida no papel de um bebê. Vai Aprender gente!!

Mas o “Dia das Mães” não enaltece à Mãe aprendiz mas sim a Mãe que nasce Mãe, claro, isso já é Inato né mulheres, Mães?! Ou melhor, é instintivo! Pariu, virou Mãe, deu o peito logo encontrou o paraíso com  gosto de chocolate. É o mesmo que dizer: Agora me encontrei. Hahahaha. Está mais para desencontro de si mesma que encontro, os primeiros meses que falem por si!

Ser mãe não é o sonho de todas as mulheres, nem todas querem conhecer este paraíso fotografado pela revista Pais e Filhos. Muitas não querem “ninar” um bebê outras só querem brincar com as crianças no parquinho e ter a certeza que elas moram em outra casa.

E está tudo certo.

Ser mãe não é obrigatório é uma escolha, para muitas. E mesmo para aquelas que optaram fazer amor com o seu amor e engravidar de um sonho é bastante comum passar por dias que não queiram ser Mães!

Está tudo certo também. Na maternidade Real não há contradição, mas sim emoções legítimas.

Quanta expectativa em doses avassaladoras de fantasia em torno do termo Mãe, Brasil!

Mas vem cá,  e aquelas Mães que tem filhos, fazem enxovais, curtem os primeiros anos, cuidam, mas não sabem dar afeto? São menos Mãe?

E aquelas outras que entregam os filhos para terceiros criar? São menos Mãe?

E aquelas que são “Super” Mães mas criam os filhos para si mesmas? São menos Mãe?

E outras que se ausentam da vida do filho, mas no dia do aniversário ligam para dar os parabéns? São menos Mãe?

Estas estão incluídas no Dia das Mães?

Diante do olhar coletivo construído estão abaixo da linha do respeito materno. Elas estão gravitando sobre a mente coletiva do preconceito. Mas elas pariram! Gestaram por nove meses! Amamentaram, muitas vezes, perderam noites de sono, sofreram com a primeira febre, sopraram a velinha do primeiro aninho…. Isso não tem valor dentro da maternidade?

Filhos frustrados, traumatizados, problemáticos? Pode ser que “feridas” se abram no decorrer da vida. Mas sabemos que o poder de superação está ao alcance de todas as pessoas, inclusive de pais e filhos que trilharam caminhos imensamente dolorosos. O poder da resiliência pertence a cada filho de Deus.

Eu quando me vejo filha da minha mãe, lembro-me do quanto a cobrei. Queria enfiá-la dentro do manequim da Super Mãe… e este número ela nunca vestiu. Muitas feridas tinham a causa nela, eu a culpava muito. Porém, fui me dando conta que não era justo exigir que ela fosse a mãe que a minha criança desejava. Ela não me prometeu isso quando me trouxe ao mundo. Porém, inspirei-me na fantasia social referente à mãe “maravilha” que eu achava merecer ter. Se ela “existia” eu queria tê-la, mas essa mãe nunca esteve comigo. E eu, sou a filha que ela esperava ter? Não sei.

Tenho feito as pazes com os meus sentimentos enquanto filha. Tenho conseguido “humanizar” a minha mãe. É lento o processo, mas no Dia das Mães eu a incluo e a agradeço.

Hoje, vejo o mesmo processo com a minha filha, talvez não serei a mãe que ela gostaria que eu fosse, apesar deu me esforçar muito para ser a melhor que posso. Precisamos viver da possibilidade, do movimento consciente na construção de uma Mãe dentro de si.

Nas campanhas do Dia das Mães, só aparecem mães lindas e filhos radiantes!! Pouca realidade chega em meu coração. Isso diminuiu, coloca à margem da sociedade às demais que não construiram este “conto de fadas” produzidos em estúdios e roteirizados pelos interesses industriais e sociais.

Cadê  àquelas mães que foram viver em outros países por acreditarem “valer” mais para seus filhos? Àquelas outras que vivem nos lixões atrás da sobrevivência para trazer para dentro de casa? ou as  mal cuidadas, mendigando por ai com filhos espalhados entre cidades diferentes, nas capas de revistas, nas propagandas do ” Dia das Mães”? É um mundo feio né, pouco Mãe…

Isso também é uma forma de ser Mãe, gente. O problema é que a cartilha da boa mãe esmaga esta “espécie” de Mãe. Este “projeto” de Mãe também sofre. Mães que se perderam de si mesmas. Mães que marcaram o mundo com a sua semente, mas que por algum motivo não puderam/quiseram seguir regando de perto. E ai?

Desconstruir o significado universal da Super Mãe  é de interesse coletivo? N ~ A O. Em quem vamos colocar a culpa, quando algo sair errado, se humanizarmos o ser Mãe?

Deixa para lá… é bem mais cômodo continuar deixando a culpa no colo delas quando não atingirem a “meta” da Super Mãe. Assim, os interesses ideológicos paralelos seguirão protegendo às instituições educativas, às indústrias infantis, às empresas alimentícias, o governo, o sistema de saúde, à religião, a muitos homens que se tornam Pais (PAIS ?), enfim… quando o filho frustrar às expectativas sociais toma MÃE que o filho é teu.

Escola, pensar ou memorizar?

 

 

Eles vão crescendo e as indagações sociais começam a pipocar…

Que cor é essa? Já tá na hora de saber

Essa letra é a M, essa outra é a P…

Ainda não escreve o seu nome?

Já é hora de ler…

Hello! É Olá em inglês…

A carga de conteúdo que uma criança que ainda é criança precisa “dar conta” torna-se inesgotável. Quando começar a ensinar? Cada linha pedagógica com os seus parâmetros e a vida social com o seu outro. A comparação é inevitável, igualam-se as idades e o domínio do conteúdo “tem” que ser o mesmo. O indivíduo com a sua complexa unidade não tem muita importância, pois a ignorância é visível quando  resume a criança, quase sempre, ao  seu universo cognitivo.

Este cognitivo está valendo ouro no comércio educativo. E o acesso não é simples! Os menores também precisam passar pelo “Vestibular”, bom, “vestibulinho”! Oi? Isso mesmo, crianças entre 3,4,5 anos para iniciarem seus “estudos” precisam ser “aprovadas”. Isso é apavorante, indecente.

O que estão querendo avaliar em crianças tão pequenas? Em crianças ainda tão crianças? Vem-me à cabeça a priorização entre  príncipes e princesas, ou seja, “normais”, “capacitados”, dignos de uma vaga em tal instituição. Por favor! Não estão olhando para pessoas. Estão olhando para bonecos estandardizados como em uma linha de produção em série. Aquele que se diferencia por não “cumprir” com tal expectativa leva os três “R” na mochila: – Reprovado, – Rejeitado, – Rua. Quanta frustração causada em uma criança que ainda só precisa ser criança, volto a repetir. Além disso, sem entrar na rígida insegurança que causa nos pais pelo não aceite do seu filho. Sem dúvida, saem de lá, no mínimo, com um sentimento de menos valia ardendo no peito e com um olhar de dúvida quanto “à capacidade” de seu filho.

Isso é indigno.

Isso é desumano.

Quanto está valendo o cognitivo? Vale filas, exames, comparações, e por fim, segregações. Vale criar em torno da criança um mundo com “pouca gente” e com “muita estatística”. Vale criar uma luta atroz em busca de uma vaga dentro dos “melhores”. E quem define os melhores? O MEC!! E quem é o MEC? Uma outra organização com ideologias próprias definindo o quanto “vale” o seu filho segundo as notas que ele tira nas provas. Hein? E aquele que aprova porque colou naquele momento em que o professor deu “bobeira”? Método furado, sabotador.

Isso é uma palhaçada com riqueza de interesses e miséria em transformação.

Precisamos enxergar pessoas dentro de uma escola, além disso, precisamos dar protagonismo à conjugação do verbo PENSAR. A escola precisa ser o santuário do pensamento e não o cultivo da memória orfã. Tudo se memoriza e a tudo se cala. Apenas seguem o fluxo. Cadê o exercício de marcar o mundo com a nossa diferença enquanto seres pensantes? Isso tem interessado pouco às escolas tradicionais, em sua maioria. Pensam que vão perder o controle da massa produtiva, que vai virar baderna, que vão formar ignorantes, selvagens. Desculpe-me, isso já é o que estamos colhendo hoje. Converso sempre com professores de Universidades e a queixa é geral: Eles não sabem pensar sozinhos!! Desalentador.

Eu me pergunto, constantemente, Por que estudei a tabela periódica? Quanto tempo desperdiçado. Eu sou de Humanas, eu quero respirar gente, aprender com gente e escrever sobre gente. Quanto esforço em vão. Quanta memória roubada. Faço o que com isso agora? Potássio, sódio, magnésio não me inspiram quando sento para escrever. Imaginem se ouvirmos o coletivo, quantas pessoas identificariam uma infinidade de conteúdos “doutrinados” dentro de si por simples vaidade de um sistema educativo obsoleto.

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Gente! Estamos falando do sistema educativo do nosso pais! Estamos falando de poucos que decidem por milhares. E vamos no fluxo? Não, por favor, Não.

Temos que exercer o que foi pouco estimulado dentro de nós. O pensar. Precisamos questionar o que essas linhas pedagógicas estão priorizando, principalmente, no princípio do sistema educativo, ou seja, desde muito pequenos.

Cadê o aprender através da “vivencia”?

Cadê o aprender através da individualidade de cada um?

Cadê o aprender a Pensar?

Cadê o aprender por prazer e não por imposição?

Cadê o aprender a se conhecer melhor?

Cadê o aprender que liberta?

Cadê o aprender a ser gente?

É … isso tudo não interessa na preparação para o vestibular. Complica muito. É mais fácil ver infinitas cabeças organizadas pelos números das estatísticas. Enfim, 2 + 2 = 4. Simplificaram a espécie humana.

Porém, ao lado do método convencional há o considerado alternativo.

A terminologia já desfavorece à ideia. O que deve ser algo alternativo? O método que cismou em ser diferente do Certo? Claro, tem que inferiorizar… imagina se a legião que consome o método convencional se convence que o lado de cá é o que dá fruto bom? O que seria do MEC???? Dos infinitos livros que são “socados” nas crianças em idades tão criança? Dos profissionais que dão aulas com conteúdo desnecessários para um grupo de jovens que tem outro interesse “pela vida”? Do governo que teria que lidar com o seu povo exercendo o seu pensar fazendo valer o seu olhar criativo, criterioso, livre diante das suas escolhas? O narcisismo humano ainda é muito inseguro para libertar seus agregados.

O controle ainda impera. Ainda querem perpetuar este estilo de vida para colher “cordeiros”.

Vamos formar gente! Gente com diferença e não com igualdade. A igualdade nunca existiu. A disciplina do controle sempre nos fez acreditar nisso. Vamos dar condições aos nossos filhos de somar na diferença do amigo.

O lado lutador dentro deste processo também vem crescendo, um grande número de escolas já estão se reestruturando, repensando suas linhas pedagógicas e outras tantas já nascendo dentro deste novo olhar. Há opções 🙂

Um dia uma mãe me contou que no processo de adaptação de sua filha, em uma escola “alternativa”, foi surpreendida pela professora quando esta se aproximou e lhe disse:

– Mãe, poderia ir à sua casa para tomar um café com vocês? Gostaria de me aproximar do “ninho” familiar da “Beatriz (fictício)” para ajudar no processo dela de adaptação na escola.

Achei extraordinário!! Essa professora é professora além das quatro paredes. Ela está focada no desenvolvimento humano e não, apenas, em ver se o dever de casa veio certo, ou se a aluna ganhou media na prova. Ela está preocupada, primeiramente, em “tocar” na individualidade desta criança, em conhecê-la melhor, o resto vem depois.

Entretanto, hoje em dia é assim, todos com a mesma roupa no grande pátio do ” ensino dos melhores”, mas … Quem é quem?

Sem filtro

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Por que temos que nos proteger diariamente? É muito raro deixar que o outro nos enxergue como somos. Parece que a revelação vai até a página 5, depois vamos escondendo o que conseguimos entre choros internos, silêncios, reclusão, ou até mesmo, na sombra de uma alegria extasiante e “fugaz”.

Como sorrimos para fora! Como sabemos passar uma imagem de felicidade com  a tristeza respingando para dentro. Parece que a nossa sombra é vergonhosa, digna de pena, de rejeição ou esculacho. Queremos nos reinventar sempre dentro do que esperam de nós, isto é, dentro da cara bonita, do corpo esbelto, das unhas feitas, de um acervo cultural mínimo, dos sentimentos sublimes, das boas ações, dos bons pensamentos, dos “nobre” relacionamentos”, dos exímios valores, das honradas escolhas, da energia sempre positiva. Isso é o que temos que demonstrar dia sim e outro também.

Se reparamos dentro do diálogo coloquial entre “pessoas”, a resposta é sempre igual:

(-) Oi, tudo bem?

(-) Tudo bem! 🙂

Este famoso tudo bem é clássico! É a proteção que vive dentro das relações “com filtro”.

Isso me dá profunda tristeza. Me dá tristeza de ter tido vergonha da minha sombra, de ter me inferiorizado entre “tapas e beijos”. Me dá tristeza por não ter compartilhado, muitas vezes, os meus calos com alguém. Me dá tristeza por não ter deixado que o outro me conhecesse de verdade. Me dá tristeza por ter me “rejeitado” durante muito tempo. Me dá tristeza por ter me protegido durante anos com muito “protetor solar”.

Já me sufoquei muito e perdi grandes oportunidades em SENTIR mais que, simplesmente, viver a vida.

Hoje, quero sair sem filtro.

Quero me abraçar por inteira. É o mínimo que posso fazer por mim mesma.

Quero sair sem filtro e dizer o que penso, quero sair sem filtro e discordar do que seja necessário, quero sair sem filtro e sustentar um olhar alheio, quero sair sem filtro e dizer que ainda tenho compaixão por mim mesma, quero sair sem filtro e abrir a boca quando o “estômago arder”, quero sair sem filtro para pedir desculpa quando eu errar, quero sair sem filtro quando a covardia pular na frente da atitude, quero sair sem filtro para construir relações inteiras, quero sair sem filtro para experimentar uma rejeição, quero sair sem filtro para libertar a minha alma reclusa, quero sair sem filtro para respirar consciência, quero sair sem filtro como prova de carinho e ternura por mim mesma.

Precisamos nos posicionar para fazer valer a pena a nossa diferença. É uma grande miopia viver dentro da bolha da felicidade “fanfarrona”. Vamos sorrir quando a vontade realmente existir, vamos desfilar no dia dia com a cara que a “emoção da hora” permitir. Vamos desfazer da síndrome do sorriso constante, da família perfeita, do “interior bem resolvido”.

Precisamos dizer um Não autêntico quando as coisas não tiverem bem e saber ouvir do outro o mesmo Não sem constrangimentos.

Vamos construir humanidade entre nós. Construir verdade. Isso aproxima e faz com que nos olhemos com reciprocidade. O sentimento de superioridade e inferioridade só existe dentro da falta de lucidez pois todos nós estamos amassando barro para dentro e para fora.

Aquele que ficou ofendido por ter sido incluído, tá na hora de se perguntar:

Já sai SEM FILTRO alguma vez?

Deixamos nossos filhos criarem “Possibilidades” diferentes das nossas?

Um grande exercício para mim é frear a minha vaidade, a qual me provoca enxaquecas!! um exemplo corriqueiro é quando vamos sair… Urggg!! Minha filha de 4 anos SEMPRE, em qualquer circunstância, quer ir com o seu CHINELO!!!! É o seu bem maior! …. e bláblábláblá… Depois de muitas enxaquecas, entendi que o meu incomodo era em “frustrar” a expectativa social na espera da “princesa” com o seu sapatinho de cristal… Entretanto, que mal tem no seu amigo chinelo já que está calçada? O objetivo não é esse? 🙂

Claro que ela não anda Só de chinelo! Tem momentos que o clima não está favorável, ou até mesmo, presença em alguns eventos que “pede” outro calçado (detesto quando ainda me sinto vulnerável à solicitação social, porém ainda existe!)… Mas, na maior parte dos momentos, eu consegui entender que ela estar calçada com o seu chinelo Não “diminui” a sua infância, não diminui a beleza da sua  ingenuidade, não diminui o meu ser como mãe, muito menos a “proposta” que o chinelo trás que é oferecer liberdade, movimento, ar puro em qualquer momento.

Precisamos estar atentas quando queremos “brigar” de proibir;

É, realmente, por eles ou pelo que podem “pensar” de NÓS como Mães?

DEI UM PASSO NA  MINHA MATERNIDADE.

OLHEI PARA DENTRO.

Maternidade de Vitrine

Muitas de nós somos e milhares ainda vão ser – Mães –

A partir do momento que temos um filho ganhamos o papel de Mãe. Porém, este papel não vem em branco, em um primeiro momento, ele já vem todo preenchido com regras, normas, etiquetas, preconceitos, exigências, imposições, enfim, parece que todo mundo tem o mesmo olhar quando “olha” para uma Mãe.

E esta mãe que acaba de nascer, torna-se vítima dos padrões ancestrais impregnados no DNA do termo. Ela não sabe se mergulha para dentro da sua maternidade ou se primeiro tenta negociar com a cartilha social da boa mãe para se convencer de que a primeira opção é um direito seu.

A mochila social da maternidade é densa, cruel, impiedosa.

Mesmo quando achamos que estamos sozinhas longe do olhar acusativo alheio, somos surpreendidas por um outro olhar, esse talvez seja o mais árduo de todos. O nosso próprio. Temos a capacidade de nos julgar constantemente através dele. E ele é perseguidor. Muitas vezes nos condenamos ao invés de enaltecer a nossa grandiosidade pelo simples fato de termos escolhido viver a maternidade. Isso é um ato de muita Coragem. Mas isso é importante?

Entretanto, como em nosso meio tudo vem com “bula”, “manual”, inclusive e principalmente na relação com o outro, a autenticidade fica esmagada diante da ditadura voraz que impera na Maternidade.

Tudo começa e termina com a cobrança na “construção” de Príncipes e Princesas durante toda uma vida. Ou seja, na exigência de parir perfeição e colher sempre aplausos já ensaiados.
E nós, muitas vezes, mesmo que dentro de quatro paredes endossamos este discurso através de pensamentos ou atitudes que ferem a nossa tentativa diária de querer ser Só Mãe do nosso filho.

Mas chega um momento em que a mochila social fica muito mais cheia de distancias que de aproximações… É quando você olha para a sua escolha de ser Mãe e conversa com o seu avesso: Cadê a minha diferença enquanto Mãe? Cadê a minha voz na maternidade? Cadê o meu direito de ser mãe à minha maneira?

Quando a autenticidade começa a ganhar dignidade nos apoderamos, com muita lucidez, do sentimento genuíno da maternidade: – Demos a luz a um Ser Único através de Pais também Únicos -.

Por raciocínio lógico, então como deixar que a Maternidade de Vitrine nos defina como Mães? Somos todas únicas, sem direito a versão cover. Ela só é funcional enquanto está na vitrine das capas de revistas, nas lojas, nos rótulos de produtos infantis, enfim, quando está na “Vitrine dos Discursos” enfeitados, produzidos, orquestradamente conduzidos por Instituições, Ideologias que não nos olham com olhar amoroso, humanizado, individualizado, desinteressado, construtivo. Somos olhadas como todas as Vitrines olham para nós: Sejam P e r f e i t a s.

E é ai quando tudo vai ficando muito escuro e os sentidos vão entrando em estado alterado de consciência. Por este caminho passamos por uma maternidade que não existe, “Oca”, pois a vida não contempla, ainda, a perfeição. O mais próximo que conseguimos chegar é da Perfeição Idealizada.

Se ainda não chegamos nem perto da dita “perfeição”, Que moral pode ter uma Maternidade Idealizada, ainda em versão cover, cuspindo prepotência dentro da construção de nós, Mães?

Ela pouco sabe, apenas existe dentro da sua defesa em estado Idealizado.

Os discursos precisam defender a maternidade que seja conveniente para a sua existência.

Apenas quero ser a Mãe da minha filha. Apenas quero entender, decifrar, educar, conhecer a Mãe  que posso ser para ela.

Páscoa, aonde está?

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Os ovos já estão nas prateleiras dos supermercados, campanhas massivas nos meios de comunicações, escolas nos preparativos com as atividades pascais, crianças já com as listinhas na mão! Querem o ovo do Ben 10, Frozen, Barbie, Hello Kitty, dentre outros. Tudo preparado para consumirem a Páscoa com os olhos e acolherem nas barriguinhas.

As indústrias produzem muito e nós damos conta da oferta.

E o ciclo é esse. A única novidade é a entrada de novos personagens nas embalagens dos ovos a cada ano.

Isso tem se tornado a Páscoa há muitos anos.

(melancolia)

Isso me dá tristeza. Estamos perdendo a oportunidade de construir “a base” dentro desta nova geração. Alguém se lembra do sentido da Páscoa? É mais uma data para gastarmos, acostumarmos nossos filhos a pedir e a ganhar, comermos sem limites, quilos de culpa na “carcunda” e depois morrer na academia. Cadê o sentido nisso?

Na cabecinha das crianças só se registra ovo, chocolate, personagens e o eu quero.

Na dos adultos… tenho que comprar para meu filho, sobrinho, neto, filho da amiga, enteado… E tem que comprar mesmo pois o pequeno já fez a sua lista.

Quando criança, certamente, eu achava que tudo fazia o maior sentido! E me acabava com a cestinha de ovos que minha mãe, carinhosamente, preparava. Mas, tudo terminava na barriga!

Hoje, um pouco mais adulta,  acho todo este “circo” com pouco sentido, pois, cada vez mais, as crianças associam a Páscoa aos ovos enfeitados pelos personagens comerciais que trazem brinquedos! Páscoa = chocolate = brinquedo, é isso mesmo? hein?

 A presença do chocolate etiquetado vem “banalizando” o significado da Páscoa.

Minha alma pede mais. É preciso mais que chocolates para “sensibilizar a Páscoa” em  minha filha. Quando a consciência entra no jogo não é qualquer chocolate que a seduz.

Precisamos querer “sentido” nas coisas. Precisamos dar humanidade aos nossos filhos, inclusive na Páscoa.

Páscoa é introspecção

Páscoa é renascimento

Páscoa é cultivar-se

Acredito muito na possibilidade de construirmos novas “condições” para nós mesmos.

Sendo assim, no dia 23/3, numa segunda feira, escolhi, mais uma vez, uma nova possibilidade para se comungar a Páscoa em nossa casa.

Neste dia estive na oficina de Páscoa realizada na escola onde estuda minha filha (Sol Dourado, pedagogia Waldorf). Ali nos reunimos para pintar os ovinhos que serão “achados” pelos pequenos na escola. Os ovos trouxemos de casa (ovo de verdade!) com um pequeno orifício onde serão recheados com biscoitos.

Enquanto eu pintava os ovinhos, pensava nesta nova realidade que havia proposto para nós e, sobretudo, para minha filha. Ela iria ganhar ovinhos com BISCOITO!!  Essa será a Páscoa dela dentro de casa.

O trabalho que a escola faz é lindo. Cheio de sentido, repleto de cuidado e abastecido de sensibilidade.

Já é o segundo ano dela na escola, e quando a perguntam  o que ela vai ganhar na Páscoa ela responde:

– Nos meus ovinhos tem biscoito!

– Esses são os verdadeiros ovinhos da Páscoa.

E garanto que ela é muito feliz com eles! Realmente ela vivencia a Páscoa, se sente acarinhada por um coelhinho que se lembrou dela com seus ovinhos de verdade!

Em conjunto com este trabalho das oficinas, a escola prepara todo um cenário onde se ensina o sentido da Páscoa.

É a época em que se trabalha as quatro fases da mesma vida: Ovo, lagarta, crisálida e borboleta.

O Ovo é o início onde tudo acontece. Representa a potencialidade do ser. Mas em um momento certo, a casca precisa romper para começarmos a caminhar com nossas próprias pernas. A lagarta representa o nosso “rastejar” pela vida. A Crisálida é a criação do casulo para si mesmo, por opção, como forma de conectar-se com seus sentimentos. E a borboleta, é a fase da libertação, do renascimento, do voar. A propósito, em qual fase você se encontra?

Os pequenos acompanham todas essas fases, de verdade, na escola e vivem ludicamente este grande ensinamento para toda uma vida.

Aqui em casa a Páscoa ganhou humanidade.

Ela entra pelo sentido e termina no coração.

Demos um passo além.

Uma curiosidade, toda esta riqueza de ensino pode caber dentro de um ovo de Páscoa da Barbie, de chocolate, cheio de açúcar e ainda por R$ 20,00?

Uma verdadeira Páscoa para todos!

1Aqui se vivencia o Renascimento

P.S: Foto retirada na apresentação do teatro da Páscoa feita para os pais, realizado e confeccionado pelas professoras Waldorf da escola. Gratidão é pouco pelo “despertar” que colhi naquele dia.

Quero Ser, eu tb… Feliz!

 

Quando temos filhos acho que a saga em busca da felicidade aumenta. Ao menos que eles sejam Felizes! Assim, dever cumprido. Porém, sabemos atrás de qual felicidade estamos correndo? Sabemos o que é ser feliz?

Aparentemente, a receita de felicidade mais corriqueira é mais ou menos assim: Ser rosa se for menina, Ser azul se for menino, comprar para brincar, fazer inglês, ir para Disney, estudar nos melhores colégios, ter o melhor celular para fazer “Self”, se formar, debutar no baile de formatura, ter muitos amigos nas redes sociais, realizar sonhos adquirindo, trabalhar, ser um profissional admirado, comprar, ter autoestima, ter um corpo perfeito, conversar com Deus quando aperta o pé, viajar, casar dentro do tradicional, lua de mel nas “Europas”,  ter uma mente “adestrada”, logo, comportamentos esperados, ter filhos “normais”, exemplares,  ter uma empregada 8 horas/dia, me esqueci da babá!, comprar de 20 vezes até Ter o que quero, viajar de novo, acumular dinheiro, comprar de novo, ter bens, viajar mais um pouquinho nas férias, desta vez para o exterior! ter netos, aposentar, curtir a velhice, ir morar no interior, de preferência diante do mar, não depender de ninguém, usufruir da previdência privada,  e algum dia morrer em paz.

Ufa! A cartilha é muitoooo extensa, porém é divertida, dinâmica, colorida.

Atrás desta felicidade muitos de nós estamos! Muito do que ali está escrito corresponde com os pacotes de felicidade que tentam nos fazer acreditar desde que nascemos.

E como embarcamos neles!

Mas, chega um momento que “algo” sai do script.

É quando:

O Ser azul quer ser rosa, e ai?

As finanças despencam igual à bolsa e neste natal não tem brinquedos. E ai?

A Disney mais próxima que posso ir é até o clube da cidade. E ai?

Nossos filhos estudam nos melhores colégios, mas não passam no vestibular. E ai?

Os amigos têm e eu não. E ai?

A mãe confiscou o celular. E ai?

Tem formatura, mas não pode ter baile. E ai?

Não se acha emprego. E ai?

Fala-se inglês fluente, mas não se consegue a  bolsa de intercambio. E ai?

A autoestima se enforca, sou gorda, ou magra, sou cafona ou com sardas no joelho. E ai?

Tenho um filho “anormal”. E ai?

Falo o que penso. E ai?

Quero casar de preto. E ai?

A empregada me deixou, a babá então já foi para o espaço. E ai?

Não sobra nada, só pago contas. E ai?

Tem dois anos que não tiro férias. E ai?

Tomo antidepressivo. E ai?

Patrimônio acumulado? Uma bicicleta. E ai?

Paris? me assaltaram. E ai?

Os netos? Não vem. E ai?

O casamento eclodiu. E ai?

Sou autônomo, não posso aposentar. E ai?

Perdi alguém. E ai?

Quero curtir a vida, mas não tenho saúde. E ai?

Meus filhos moram longe. E ai?

Não realizo meu sonho. E ai?

Deus não me escuta. E ai?

Minha felicidade não dura. E ai?

Quando saímos do “padronizado” sentimos a realidade. A felicidade Idealizada não se sustenta pois sempre acontecem intercorrências na proposta comercial de “ Ser Feliz ”. E quando elas acontecem, começamos a entender que ser feliz é um estado de espírito e não uma condição que se adquiri.

Ser feliz é abrir mão da felicidade obrigatória.

Ser feliz é também deixar de sorrir.

Ser feliz é se autoconhecer.

Ser feliz é saber morrer para renascer.

Ser feliz é um movimento para dentro.

Correr atrás desta felicidade é ter sabedoria para consumir a felicidade idealizada da cartilha comercial e voltar para dentro onde os constantes “E ai?” podem ser resolvidos de verdade.

 

Qual tipo de felicidade estamos correndo atrás para nossos filhos?

Vamos consumir ARTE?

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Consumo,

crianças,

indústrias,

persuasão,

eu quero,

e mais eu quero

= SOCORRO!

Isso é real? Éééééééééééééééééé,

Preocupante? Tem se tornado.

Após ter colocado o consumo centralizado nas preocupações atuais nos dias de hoje, quero pedir licença à pressão diária “contra o consumismo”, na qual sou engajada, e pontuar o que ocorreu, ontem, no meu encontro com a indústria cinematográfica .

Fomos a um aniversário que tinha a temática o filme  Frozen. Alguma novidade? Apenas a confirmação de que este filme está em muitas cabecinhas mirins. Chegamos lá, tudo personalizado com os personagens do filme, Elsa, Anna e Olaf. Bonito? Lindo! Enquanto eu olhava toda a informação midiática ao redor do tema, questões vinham à cabeça: mais um ponto para a indústria do consumo! Como consumimos! Como somos vulneráveis às festas de aniversário de nossos filhos! E algumas mais… ($$$$$$$$$$$$$$).

Enquanto a mente processava, minha filha estava sendo criança, brincando com alegria, provando de tudo um pouco. E eu ali, entre um doce e uma coxinha, maquinando.

Foi quando eu olhei para a porta e vi o Olaf  e n t r a n d o o o o.

(       pausa       )

Não quero fingir que Nada aconteceu. Aconteceu tudo, me emocionei. Senti a minha criança interna em estado de graça. Aquele boneco me hipnotizou com a sua magia. Entrei na fantasia e consegui tocar na minha ingenuidade infantil. Transbordei pétalas de rosas por ainda sentir algo de ingênuo dentro de mim, me senti sem defesas, sem razão, sem explicação, sem teorias.

(   cheiro de rosas )

Sentir a gota da emoção encontrando aconchego em olhos úmidos é ser beliscado pelo genuíno.

Eu estava em transe. Da rigidez à espontaneidade.

Quando olhei para as crianças elas estavam Plenas dentro da fantasia. Apenas colhi carinhas excitadas por terem tido o privilégio de tocar no próprio sonho. A magia aconteceu. Elas se alimentaram da pureza que toda Arte trás.

É isso, a Arte!

Naquele personagem eu vi a concretização do belo. A inspiração encarnou, a criatividade trabalhou, e o divino se eternizou através do personagem Olaf. Como desconsiderar todo esse processo? Não consegui. E não quero conseguir.

A Arte nos pertence. Pertence às nossas crianças.

O problema não está no consumir, mas sim na maneira que consumimos. Vamos entender isso melhor. O despreparo em relação ao consumo está fazendo com que menosprezemos a importância da ARTE. A sua condição divina.

O comercio tem transformado a Arte em oportunismo focado na massa anônima. Virou um vicio sem sensibilidade. Perdeu-se a originalidade com tanta estimulação estampada em novos produtos em formatos diferentes.

E os produtos vão ganhando estilo de vida capitalista com personalidade padronizada. É aonde começa o problema e termina com a fidelização dentro de nossas casas.

Mas, podemos nos reeducar dentro do consumir  Arte. Colocar a sensibilidade antes da ânsia pelo simples comprar.

Eu tirei foto com o Olaf! Eu quis ficar perto daquela Arte que me levou além das minhas extremidades. Aquela em que eu e minha filha consumimos com a emoção original, a genuína.

Agradeço àquele aniversário que me fez relembrar que dentro do consumo precisamos identificar onde está a ARTE que veio da inspiração do homem e não do plágio compulsivo das máquinas industriais.