normal,eu?

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Racionalizando o termo “Normal”, me da a sensação de que o diferente seria, em um primeiro momento, “Anormal”.

Mas, como definir, o diferente? Aquele que é diferente de mim, do meu vizinho ou do meu amigo? Percebo que somos, entre nós, tão desiguais. Analisando apenas o visual, um é alto, outro é baixo, e o terceiro, podemos considerar, na coluna do meio… Opa! Pensei haver achado um comportamento que pudesse fazer jus ao termo “normal”, mas foi uma cilada, chocolate! Há acentuadas discrepâncias quanto ao assunto entre nós.

Então, quem pegamos de modelo? Cadê ele? Nossa, ele deve estar bem escondido, simplesmente não o encontro. Todas as pessoas que vieram à minha cabeça, não se encaixam devido à diferença que trazem em seu DNA. E é ela que me atrai. É através dela que me percebo, aliás, que me ajuda a definir quem eu sou. Faz latir meus temores e irradiar meu sol. Viver na desigualdade pode ser um belo convite para conhecermos o nosso “avesso”.

Quando me deparo com o meu “avesso”, entendo que ainda preciso ver aquele que se move com uma perna só, para que eu possa correr mais rápido ao meu encontro, ainda preciso conviver com aquele que nada sem os dois braços, para que eu possa, de verdade, abraçar a minha vida, ainda preciso conviver com aquele que só tem duas peças de roupas, para que eu possa entender a simplicidade da vida, ainda preciso conviver com aquele que caminha quilômetros para chegar ao seu destino, para que eu possa exigir menos comodidade, ainda preciso conviver com aquele que não consegue se defender, para que possa entender que preciso agredir menos, ainda preciso conviver com aquele que não aprende com rapidez, para que eu possa perceber que a inteligência que tenho precisa de doses de humildade, ainda preciso conviver com aquele estrangeiro, para que eu possa valorizar o afeto que recebo, ainda preciso conviver com aquele que não enxerga, para que eu possa sair do escuro e enxergar as possibilidades ao meu redor, ainda preciso conviver com aquele que grita, chora, sente raiva, para que eu me humanize mais, ainda preciso conviver com aquele que é rotulado por apresentar um comportamento “fora do padrão”, para que eu possa me perguntar: acolho ou retribuo na mesma moeda o comportamento recebido? ainda preciso conviver com aquele que tem queimaduras pelo corpo, para que eu possa valorizar a elasticidade das minhas decisões, ainda preciso conviver com aquele que é feio, para que eu possa perdoar o feio que mora dentro de mim, ainda preciso conviver com aquele que foi diagnosticado com paralisia cerebral, para que eu possa rever meus atos mesquinhos diante deste ser missionário, enfim, ainda preciso de você para que eu possa aprender algo novo.

Sendo assim, como viver sem a diferença? Como? Na igualdade viveríamos dentro de uma bolha saturada. Dentro do homogêneo não há transformação, mas, sim, acomodação. Não haveria estímulo, limitados seríamos. Já na diferença, o “viver” limitado é apenas uma opção.

Eu não me considero “normal”, nem de frente, nem de costas, apesar de muitos quererem me “normalizar”. Bom, parece contraditório, mas como toda regra tem sua exceção, a única “normalidade” que eu faço parte é quanto ao não saber, ainda, lidar com toda esta diferença. Neste quesito, sou bem “normal”!! Mas, e Você?

2 respostas para “normal,eu?”

  1. Fantástico seu texto … São pequenas situações do dia a dia que passam desapercebidas e só nos damos conta bem depois. Obrigada por me fazer reacender meu alerta

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