O amor siamês

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Com toda certeza, eles se beijam, elas também se beijam. Os iguais estão se amando publicamente. Vivenciamos, diariamente, inúmeras outras formas de relacionar-se. A cartilha que um dia as religiões propagaram, ficaram obsoletas, cafonas e o amor universal doutrinado por elas, atualizou-se, expandiu, justificando a união homossexual. Se os diferentes se amam, logo, os iguais também. É assim? Teoricamente, sim.

No entanto, vivemos em meio das escolhas de cada um e os “politicamente corretos”, como nós, eu e você, em sua maioria, defendemos a liberdade de expressão da vida alheia. Porém, quando temos um ser chamado filho, circulando, observando, imitando, enfim, consumindo o mundo, o chavão “politicamente correto” fica em “estado de anseio” ainda em fase de concretização. Pode ser que não, mas em algum momento, o amor siamês, vai chamar a atenção do seu, do meu filho. Chamará a atenção pela curiosidade peculiar que eles nutrem na fase das descobertas e constatações e não por outro motivo qualquer. Afinal, para eles aquela imagem é natural, assim como o amor. Eles sentem, não racionalizam. No entanto, para nós pais, a racionalidade entra e fica em estado inflamado de pirraça.

Quando constatamos que um dia podemos ser questionados, devaneios veem à mente. Podemos responder: Eles são amigos! Não, por favor.

Eles não são só amigos. Por que mentir?
Eles também se amam!
Sim, querem também estar juntos.

Por que o nosso preconceito fica tão nítido quando falamos dos nossos filhos? Afinal, se aceitamos o que acontece lá fora, um dia pode acontecer dentro de casa. Será esse o medo? Será que por isso tende-se a mentir, a proibir, a desqualificar, no intuito de não se sentir responsabilizado caso a igualdade entre pela nossa porta principal? Tenho a sensação que o pânico está solto. Se há menores junto, o desconcerto é flagrante. A pergunta pode vir, e aí? Defendo, abomino ou desconverso….?

Acho que pecamos seriamente agindo assim. Há países nos quais a homossexualidade é legítima, a lei contempla, já outros, preferem usar uma venda e continuar “ preconceitualizando” o amor, segundo eles, amoral. Então, é mais uma questão cultural que definitivamente o certo e o errado. Em todos os cantos há amor, em diversas cores. E é de direito dos nossos filhos ter acesso a isso. Acesso a ver o mundo com as lentes ajustadas para cada idade, mas sempre, dentro da verdade, do natural, do sentimento puro, sem rótulos. Tentar deixar a árvore genealógica das crenças no passado é se descortinar diante do poder das escolhas. Cultivar essa educação é, simplesmente, dar um salto qualitativo de humanidade e respeito nos corações daqueles que estão chegando.

Não somos nós quem devemos escolher a orientação sexual de um filho, até mesmo porque, o que sabemos sobre isso? Onde mora a sexualidade? Já viemos marcados quando nascemos, mas só fisicamente, emocionalmente somos muito livres. Então, por que ter medo já que nunca poderemos controlar a personalidade emocional de um filho? O seu conteúdo inconsciente, fantasioso, legítimo, é de direito privado deles.

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