Você não me manda!

By on 12 abril, 2017

PicsArt_1435027477158

Já ouvi várias vezes essa frase da minha menina e algunas, muitas delas, eu revidei.

Entre uma reação e outra me sentía muito perdida dentro do meu papel de mãe. Sentia-me tão pequena quanto a minha filha. Olhava para os lados, girava os olhos, bufava, rosnava mas milagre algum acontecia.

Foi quando eu comecei a conversar com a minha “necessidade”: O que significava para mim a necessidade de MANDAR?

Para mim até então, o controle e o respeito  aconteciam se eu soubesse mandar nos momentos que precisavam, ou seja, a última palabra tinha que ser a minha e decidido estava.

E por consequência, se eu nao conseguisse mandar me sentía “desqualificada” como mãe. Percebia-me uma mãe fora da própria maternidade. Alguém de pouca credibilidade perto de uma criança.

Tudo isso começou a me parecer antigo, em desuso, desatualizado e até mesmo agressivo dentro de uma relação entre pais e filhos. Comecei a sentir vergonha e graça quanto a necessidade de mandar, pude me ver totalmente insegura nesses momentos.

Então, substitui sem nenhum apego o verbo mandar pelo educar.

Esse sim fez um sentido enorme para mim, me colocou em outro patamar dentro da minha maternidade e me tirou dos desentendimentos com a minha filha, do conflito para medir força.

Depois que essa experiencia ficou clara para mim comecei a responder para a minha menina: Claro que eu nao te mando! A mamãe te educa!

A frase começou a perder a sua força e insistência, a provocação nao encontraba mais eco e eu sabia exatamente qual era o meu papel dentro dos conflitos.

Ela era a filha e eu a mãe.

Como eu podía querer ter o controle se em muitos momentos nao sabia o que fazer? Não era através do controle que eu conquitaria o respeito da minha filha e nem o meu próprio. Apenas estaría me colocando em uma condiçao de puro desgaste e descontrole emocional, resistindo a condiçao natural de aprendiz que todos nós somos.

Quando eu comecei a dizer a minha filha que não mandava mas sim educava, o sentido do educar ficou ainda mais consciente dentro de mim. Nao educamos no controle, mas sim na confiança.

Na confiança de días melhores, na confiança de uma escuta mais atenta, na confiança de observar mais e concluir menos, de buscar a melhor solução mesmo que para isso seja preciso dar um passo atrás, e principalmente, na confiança de ser menos vaidosa com a minha condição de mãe.

Ao invés de atrair  e persistir nos conflitos, de entrar na autoexigência desmedida, de correr dentro de um labirinto sem saída, de repetir crenças que nao nos representam,  optei por ressignificar o que para mim seria educar e mandar.

Ainda pensamos que quem manda ganha, sem refletirmos  que esse lugar dentro da maternidade apenas deixa claro o nosso pedido de SOCORRO.

Quem manda se contenta com a obediência através do medo, quem educa conquista uma relação de hierarquia com empatia e leveza.

Posted in: Sin categoría

Comments

Be the first to comment.

Leave a Reply


You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*